Mediunidade não é Espiritismo
Há confusões absurdas que estão a ser desfeitas,
graças ao maior estudo deste assunto.
É bem o caso de Espiritismo não ser mediunidade.
Ele é doutrina. Ela é fenómeno - que está bem longe de só existir ligado aos
espíritas.
Tanto a diferença é notória que, em referência concreta da doutrina e do
fenómeno às pessoas, foram criados por Kardec os neologismos ESPÍRITA e MÉDIUM,
naturalmente com significados bem distintos.
O primeiro é o adepto da ideia. O segundo é a pessoa que tem faculdades
mediúnicas (a mediunidade é o que se chama percepção paranormal; o médium é o
intermediário entre duas dimensões: a espiritual e a material).
O Espiritismo não só em nada se assemelha a bruxarias, superstição ou crendice,
como não é (já o dissemos!), também, mediunidade.
A mediunidade, enquanto fenómeno paranormal não utilizado, é neutra, serve para
o bem ou não. O Espiritismo aponta sempre a edificação do bem.
Mas, na prática, há sempre uma utilização do fenómeno mediúnico! Aqui devemos
falar de MEDIUNISMO (é o já dito fenómeno praticado de acordo com as ideias
próprias de quem o pratica, quaisquer que sejam).
Existem, por exemplo, os chamados sincretismos afro-religiosos (como a Umbanda e
outros) e existem, por igual, pessoas habituadas às religiões tradicionais que,
talvez por se sentirem insatisfeitas, verificando a existência concreta do
fenómeno mediúnico, passam a praticá-lo, juntando-lhe as suas ideias pessoais.
Mas isso pouquíssimo tem a ver com Espiritismo. E porquê «pouquíssimo»?
Simplesmente porque o elo comum, único e singular é a mediunidade. Mediunidade
que é neutra, não tem valores próprios (depende dos valores de quem a utiliza e
para quê).
Assuntos claros, tantas confusões
Razões históricas explicam tudo isso.
O passado elucida-nos plenamente. Numerosos personagens, muito distintos, no
princípio do século XX, foram espíritas confessos: médicos (Dr. Martins
Velho, Dr. Sousa Martins, Dr. Joaquim Freire, Drª. Amélia Cardia), militares
(General Passaláqua, Coronel Faure da Rosa), etc..
O regime ditatorial, derrubado em 1974, poucas décadas depois do seu advento,
por repressão, dissolveu as associações espíritas existentes, apropriando-se
injustamente de considerável património, fruto de doações por falecimento de
espíritas (que haviam sido comerciantes, etc.) endinheirados.
Importa esclarecer aqui que todo o serviço espírita NÃO ADMITE, em qualquer
circunstância, remuneração. É imperioso dar de graça o que de graça se recebeu
(e a ideia espírita e até a faculdade mediúnica são paradigmas dessa situação).
Retirado o direito de reunião, de associação e a própria liberdade de
consciência, um só caminho restou - reuniões restritas aos lares, que se
prolongaram durante os anos possíveis. Já não havia mais estudo participado por
um maior número de pessoas, e, a breve prazo, o que continuou a existir,
transformou-se num mediunismo caseiro (pessoas que se reuniam à volta de uma
mesa, etc.,etc.).
Enfim, algo que prosseguiu e se fez sentir, de algum modo, mesmo após o 25 de
Abril de 1974 E QUE TÃO POUCO TEM A VER COM ESPIRITISMO!...